ESCOLA DE MÚSICA - ELLAM

CRISTO É UMA QUESTÃO DE OPÇÃO

CRONOLOGIA BÍBLICA

CRONOLOGIA BÍBLICA

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

UM PADRE DE FIBRA

 - Gostei da sua coragem Padre, enquanto outros calam por medo e outros não falam por cegueira, você expõe sua visão e dá a sua opinião clara e objetiva; Realmente é uma triste união da igreja, já que ela não se pronuncia e nem descrimina tal fato, com isto deixa que milhões de pessoas sejam enganadas, de uma forma agressiva. (Falo da  Festa do Bonfim - Salvador)

- E por falar em agressão na segunda parte do seu texto suas palavras me soaram agressoras, veja porque, gostaria que você me respondesse uma coisa padre, quem fez o homem foi Deus realmente? Se foi, é conclusiva a afirmação que Deus é primeiro que o homem correto?.

- Agora porque colocar Maria em um lugar que não pertence a ela; Respeito e admiro Maria, pôs ela é bem aventurado, por carregar e não gerar o filho de Deus; Na verdade padre não vejo respaldo bíblico que possa suscitar a glorificação de Maria e da adoração pela igreja.

- Ela foi um ser humano igual aos outros, nasceu e morreu, veja que em parte alguma da bíblia ou de qualquer outros escritos e mesmo de livros históricos, se ensina que Maria ressuscitou como ocorreu com o filho.

- Adorar Maria é um sincretismo também, a igreja só tirou as suas predecessoras, como você mesmo afirma em seu texto (Foi assim que a Virgem Maria destruiu o culto a todas as deusas, assumido nomes e imagens diferentes em cada cultura. Mas sempre se reforçou que se venerava a mãe de Cristo e não mais Isthar, Juno, Afrodite ou Isis ao lado desta.) entronizar Maria e a transformar em uma deusa, ou então fazer dela uma rainha, isto é cegueira, sabe porque? Carne, osso, água, sangue e nem o espírito do homem entra no céu.  

- Cristo sim entrou no céu porque ele é a primícias dos ressuscitados e era o Emanuel Deus conosco, substancial e temporariamente transformado em homem, “cordialmente” Padre , não vejo razão plausível para justificar a mentira que defunto fala, vê e ainda houve petições. 

- Você já leu este texto bíblico que diz: Só existe um mediador entre Deus e o homem , - I Timóteo 1:5. Porque colocar outro que nem a sua própria bíblia admite.
- Um abraço de um amigo, que te admira pelo seu artigo corajoso. 

                                                                               Smodger Silva

TEOLOGIA & RELIGIÃO: SINCRETISMO

TEOLOGIA & RELIGIÃO: SINCRETISMO:                                                                                                              PARTE - I    ...

SINCRETISMO



                                                   

                                                         PARTE - I
  
O SINCRETISMO
ENTRE OS SANTOS CATÓLICOS OS ORIXÁS E O ESPIRITISMO


   O que é sincretismo? Sincretismo é a fusão de doutrinas de diversas origens, seja na esfera das crenças religiosas, ou nas filosóficas.

   Assimilando os rituais e imagens do Catolicismo, de mistura com os elementos islâmicos já absorvidos na África, os negros transformaram as imagens da idolatria cristã em representações dos deuses africanos.

    Temos hoje no Brasil milhares de terreiros de Umbanda, Quimbanda, Aruanda, Candomblé e outras variantes, em que as práticas das religiões primitivas da África se desenvolvem, no processo sociologicamente bem pesquisado com o nome genérico de Sincretismo Religioso Afro-Brasileiro. 

           ETAPAS HISTÓRICAS E CAUSAS DO SINCRETISMO

1ª etapa: africana

     Os cultos africanos, passo inicial da formação da Umbanda, foram extremamente influenciados pelos povos que dominaram a África desde 900 a.C.. Os egípcios, indianos, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos, árabes, turcos, etc., deixaram "marcas" de sua influência nos chamados "puros" cultos africanos. Podemos exemplificar citando o turbante (origem indiana), o pano da costa (origem árabe) e a figa (origem turca) como sinais lógicos da presença desses povos dominadores.

2ª etapa: escravatura no Brasil de 1530 a 1888

     As bases da Umbanda no Brasil começam por volta de 1530 com a escravatura desordenada e em massa de diversos cultos, nações e línguas de negros africanos, ocasionando uma mistura de concepções religiosas.

3ª etapa: influência espírita de 1888 em diante

   O espiritismo chegou ao Brasil por volta de 1873 e contribuiu, na formação da religião umbandista, com sua influência doutrinária e explicativa dos fenômenos mediúnicos, do karma, da reencarnação, do conceito de espírito-guia e da evangelização da religião através do livro "O Evangelho segundo o Espiritismo" de Kardec.

   Assim verifica-se que as entidades cultuadas no candomblé e na umbanda, correspondem a um ou mais dos santos católicos, e diga-se de passagem são pra lá de 1.000 canonizados, fora os que encontram-se na fila de espera.

   Como podemos explicar essa ligação, vamos rebuscar um pouco da história do período colonial do Brasil. È visto que naquela época, chegaram ao nosso país as primeiras lavas de africanos de origem iorubá, um povo que ocupava a região onde hoje ficam Nigéria, Benin e Togo.

   A religião dos iorubás era o candomblé, mas eles aportaram no Brasil como escravos e não podiam cultuar as suas divindades livremente – devido a religião oficial do nosso país ser o catolicismo.

   Essa proibição, fizera com que os escravos começassem a associar as suas divindades com os santos católicos para exercerem sua fé de forma disfarçada.

   Assim o inicio do sincretismo acontece entre os santos católicos e as divindades africanas, que são bem numerosos existem divindades que são identificadas com mais de um santo.

Por exemplo:

  Oxóssi, o rei da caça, é associado a São Jorge e a São Sebastião.

   "Essa relação com um ou outro santo depende da região do país, variando de acordo com a popularidade do santo no local", diz o sociólogo Reginaldo Prandi, autor do livro Mitologia dos Orixás.

   Claro que a associação não é exata: ao contrário dos santos católicos, os orixás são entidades com virtudes e defeitos, e seus seguidores acreditam que eles conhecem o destino de cada um dos mortais.

   Falemos um pouco da relação dos orixás com a umbanda, já que a umbanda é uma religião genuinamente brasileira, surgida na década de 30 no Rio de Janeiro a partir da combinação de elementos do candomblé, do catolicismo e do espiritismo, aqui você pode perceber mais um sincretismo religioso, trato sobre este assunto logo após este artigo sobre a umbanda, logo abaixo  .

   Porem é percebível que a Umbanda é um produto de evolução religiosa. As suas origens são encontradas nas filosofias orientais, fonte inicial de todos os cultos do mundo civilizado. E a sua implantação, em nossa terra, deu-se com a fusão das práticas, dos conceitos e das crenças dos negros, do branco e do índio.

    Toda essa complexa mistura, que o leigo chama de baixo espiritismo, "macumba" e magia negra, era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado dos planos espirituais superiores, feito pelos espíritos que se apresentavam como caboclos, pretos-velhos e crianças.

   O termo Umbanda, que eles implantaram no meio para servir de bandeira a essa poderosa corrente, é um termo sagrado (sagrado entre aspas) que significa, num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus. 


    Assim como o candomblé, a umbanda também cultua os orixás.

   Mas os umbandistas representam essas divindades com imagens diferentes, além de cultuarem outros três espíritos, o preto-velho, o caboclo e a pomba-gira.

  Onde nenhum destes aparecem no candomblé.

  Cada um dos 16 orixás.

NA BAHIA

OXALÁ = N.Senhor do Bonfim
YEMANJÁ = Nª.Srª. da Conceição
OXUN = Nª.Srª. das Candeias e Nª.Srª. Aparecida
YANSAN ou OYÁ = Santa Bárbara
XANGÔ = São Jerônimo
OXUMARÊ = São Bartolomeu
NÃNÃ = Santa Ana
OMOLU ou ABALUAIÊ = São Lázaro e São Roque
LOCUNÊDÊ = Santo Expedito
OXOSSI = São Jorge
OGUN = Santo Antônio.

                                             PARTE - II

    Creio que você já saiba que o espiritismo não é uma doutrina nova, ela é a mais antiga das religiões existentes, o primeiro momento de mediunidade é visto no jardim do Éden, entre Eva e a serpente; Outra referencial é a vida de Saul.
   Observa-se também os faróis que eram tidos como a encarnação de um deus, e se buscarmos mais veremos  outros elementos históricos como os xamãs, porem me falta espaço para descrever com mais detalhes mas deixo mais uma, a própria igreja católica é uma portal aberta para o espiritismo, ao fazer ofertas, orações e rezas até adorações aos santos por ela canonizados, só muda a filosofia e os ritos, mas no fundo você pode perceber a similaridade entre eles.   
Veremos como é notável o sincretismo entre a umbanda e o espiritismo principalmente no Brasil, falemos primeiro um pouco por cima do espiritismo, logo após sobre a umbanda.

Candomblé

 
Culto dos orixás, de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colômbia, Panamá e México. Na Europa: Alemanha, Itália, Portugal e Espanha. A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/Inquices/Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888.

Umbanda 

   A Umbanda é um culto religioso respeitado pelos espíritas como todos os outros o são, até mesmo porque está amparado no princípio geral da liberdade de crença contido na Constituição do Brasil. Contudo, ela não é Espiritismo (fala o defensor do espiritismo). Seu acervo de símbolos, objetos, instrumentos, práticas, etc, não se ajustam de maneira alguma à Doutrina Espírita, isto é uma verdade

  Aqueles que confundem Umbanda com Espiritismo se apegam às seguintes afirmações: a Umbanda é espiritualista, rende culto a Deus, fundamenta-se em fenômenos produzidos por Espíritos desencarnados, aceita a reencarnação e faz caridade

  Todavia, a Umbanda tem culto material, rituais, vestimentas específicas, imagens, altares, pontos riscados e denominações totalmente especiais para médiuns (cavalos) e Espíritos (exús, pretos-velhos, caboclos, ibegis), que não existem no Espiritismo. (hora vestir-se de branco, receber passe, fazer reuniões onde o silencio fúnebre é a característica, falo dos centro espíritas isto também não é uma forma de ritualismo). Além dessas abismais diferenças, a Umbanda não se rege pela Codificação de Allan Kardec, (Hora seja a codificação de um ou de outro isto também não é um implante de uma pratica ritualística).   

  Portanto, está claro que embora os espiritualista teem características mediúnicas, (Olha a queda da mascara) a Umbanda não constitui variante nem modalidade do Espiritismo. Essa confusão se dá pelo desconhecimento do que seja a Doutrina Espírita e consequente interpretação errônea dos fenômenos da mediunidade. 

   Se colocados todos juntos em uma mesma peneira, haveremos realmente de encontrar elementos visivelmente que os diferencia, esta diferença é existente somente entre seus atos, ritos e costumes, eles realmente são desiguais, porem percebe-se que existe um elemento comum entre eles, e qual é este elemento?, é o elemento vital para a sua existências, e qual é este elemento? A manifestação de espíritos.

O Espiritismo 

   É uma doutrina que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos e de suas relações com a vida material. Foi revelada por Espíritos Superiores e codificada (organizada) em 1857 por um professor francês conhecido como Allan Kardec. Surgiu, pois, na França, há mais de um século. Traz em si três faces: filosofia, ciência e religião (moral). Os adeptos da Doutrina Espírita são os espíritas e suas práticas se baseiam no estudo das obras básicas da Codificação e na assistência material e espiritual aos necessitados.

   Como já discorri as diferenças são ritualísticas entre estes segmentos porem o elemento singularidade entre elas, é a manifestação e a  presença de seres desencarnados, não importa o nome que estes espíritos recebam, ou os deveres que estes espíritos impõe aos seus médios, o que importa é que a similaridade entre elas é visível e incontestável, e isto é condenável por Deus.
Porque encontra-se escrito, que só existe um intermediário entre Deus e o homem, a saber Jesus o filho de Deus.

PARTE - III

ANOTEI POR ACHAR INTERESSANTE ESTE DESABAFO - Muitos umbandistas trabalham também em centros espíritas. Relatos desses médiuns confirmam que uma entidade de Umbanda não se manifesta em um Centro Espírita.

- Porém o que ocorre atualmente é uma relação de receio entre as duas vertentes. Os umbandistas que trabalham em Centros Espíritas, não informam que são Umbandistas e muitos acabam não participando de Centros Espíritas por temerem ser tachados de "inferiores".

-A leitura dos livros de Kardec é cada vez mais recomendada nos centros de Umbanda, assim como a manifestação de pretos-velhos é cada vez mais comum nos centros espíritas. É um fenômeno que está partindo da própria espiritualidade. Não são os umbandistas que estão invadindo os centros espíritas, nem são os espíritas que estão invadindo os terreiros.

-O candomblé não segue Kardec, por outras razões. Uma delas é que eles não trabalham com manifestações de eguns (espíritos que já encarnaram), outra razão é que o candomblé é pagão, não cultua Jesus, e o Espiritismo é essencialmente cristão.

ORIGEM E DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA UMBANDA

   Em fins do século passado, existiam, no Rio de Janeiro, várias modalidades de culto que denotavam, nitidamente, a origem africana, embora já um tanto distanciadas da crença trazida pelos escravos para o Brasil. A magia dos velhos africanos, transmitida oralmente, através de gerações, desvirtuara-se mesclada com as feitiçarias provindas de Portugal onde, existiram sempre os feitiços, as rezas e as superstições.

    As "macumbas" mistura de catolicismo, feiticismo negro e crenças nativas - multiplicavam-se; toma vulto a atividade remunerada do feiticeiro; o "trabalho feito" passou a ordem do dia, dando motivo a outro, para lhe destruir os efeitos maléficos; generalizaram-se os "despachos", visando obter favores para uns e prejudicar terceiros; aves e animais eram sacrificados, com as mais diversas finalidades; exigiam-se objetos raros para homenagear entidades ou satisfazer elementos da baixo astral. 

        Sempre porém, obedecendo aos objetivos primordiais: aumentar a renda do feiticeiro ou "derrubar" os que não se curvassem ante os seus poderes ou pretendessem fazer-lhe concorrência.  Os Mentores do Astral Superior (espíritos), porém, estavam atentos ao que se passava. Organizava-se um movimento destinado a combater a magia negativa que se propagava assustadoramente; cumpria atingir, de início, as classes humildes, mais sujeitas às influências do clima de superstições que imperava na época.
     ( "Enquanto isto, no plano terreno surge, no ano de 1904, o livro Religiões do Rio, elaborado por "João do Rio", pseudônimo de Paulo Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de Letras. No livro, o autor faz um estudo sério e inequívoco das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro, àquela época, capital federal e centro sócio-político-cultural do Brasil. O escritor, no intuito de levar ao conhecimento da sociedade os vários segmentos de religiosidade que se desenvolviam no então Distrito Federal, percorreu igrejas, templos, terreiros de bruxaria, macumbas cariocas, sinagogas, entrevistando pessoas e testemunhando fatos.  Não obstante tal obra ter sido pautada em profunda pesquisa, em nenhuma página desta respeitosa edição cita-se o vocábulo Umbanda, pois tal terminologia era desconhecida.")
 
     Formaram-se então, as falanges de trabalhadores espirituais, que se apresentariam na forma de Caboclos e Pretos Velhos, para mais facilmente serem compreendidos pelo povo. Nas sessões espíritas, porém, não foram aceitos: identificados sob essas formas, eram considerados espíritos atrasados e suas mensagens não mereciam nem mesmo uma análise. 

  Acercaram-se também dos Candomblés e dos cultos então denominados "baixo espiritismo", as macumbas. É provável que, nestes, como nos Batuques do Rio Grande do Sul, tenham encontrado acolhida, com a finalidade de serem aproveitados nos trabalhos de magia, como elementos novos no velho sistema de feitiçaria.
      A situação permanecia inalterada, ao iniciar-se o ano de 1900.   


As determinações do Plano Astral, porém, deveriam cumprir-se.

   Em 15 de novembro de 1908, compareceu a uma sessão da Federação Espírita, em Niterói, então dirigida por José de Souza, um jovem de 17 anos de tradicional família fluminense.  Chamava-se ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES. Restabelecera-se, no dia anterior, de moléstia cuja origem os médicos haviam tentado, em vão, identificar.  

  Sua recuperação inesperada por um espírito causara enorme supressa.  Nem os doutores que o assistiam nem os tios, sacerdotes católicos, haviam encontrado explicação plausível.  A família atendeu, então, à sugestão de um amigo, que se ofereceu para acompanhar o jovem Zélio à Federação.

     Zélio foi convidado a participar da Mesa. Zélio sentiu-se deslocado, constrangido, em meio àqueles senhores.  E causou logo um pequeno tumulto.  Sem saber por que, em dado momento, ele disse: "Falta uma flor nesta casa: vou buscá-la".  E, apesar da advertência de que não poderia afastar-se, levantou-se, foi ao jardim e voltou com uma flor que colocou no centro da mesa. 

  Serenado o ambiente e iniciados os trabalhos, manifestaram-se espíritos que se diziam de índios e escravos  O dirigente advertiu-os para que se retirassem.  Nesse momento, Zélio sentiu-se dominado por uma força estranha e ouviu sua própria voz indagar por que não eram aceitas as mensagens dos negros e dos índios e se eram eles considerados atrasados apenas pela cor e pela classe social que declinavam. 

  Essa observação suscitou quase um tumulto.  Seguiu-se um diálogo acalorado, no qual os dirigentes dos trabalhos procuravam doutrinar o espírito desconhecido que se manifestava e mantinha argumentação segura.  Afinal um dos videntes pediu que a entidade se identificasse, já que lhe aparecia envolta numa aura de luz.

   Se querem um nome - respondeu Zélio inteiramente mediunizado - que seja este: Eu sou o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, porque para mim não haverá caminhos fechados.

    E, prosseguindo, anunciou a missão que trazia: estabelecer as bases de um culto, no qual os espíritos de índios e escravos viriam cumprir as determinações do Astral.  No dia seguinte, declarou ele, estaria na residência do médium, para fundar um templo, que simbolizasse a verdadeira igualdade que deve existir entre encarnados e desencarnados.

     Levarei daqui uma semente e vou plantá-la no bairro de Neves, onde ela se transformará em árvore frondosa. No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na residência da família do jovem médium, na Rua Floriano Peixoto, 30 em Neves, bairro de Niterói, a entidade manifestou-se pontualmente no horário previsto - 20 horas.

   Ali se encontravam quase todos os dirigentes da Federação Espírita, amigos da família, surpresos e incrédulos, e grande número de desconhecidos que ninguém poderia dizer como haviam tomado conhecimento do ocorrido. 

    Alguns aleijados aproximaram-se da entidade, receberam passes e, ao final da reunião, estavam curados.  Foi essa uma das primeiras provas da presença de uma força superior.

   Nessa reunião, o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS estabeleceu as normas do culto, cuja prática seria denominada "sessão" e se realizaria à noite, das 20 às 22 horas, para atendimento público, totalmente gratuito, passes e recuperação de obsedadosO uniforme a ser usado pelos médiuns seria todo branco, de tecido simples.  Não se permitiria retribuições financeiras pelo atendimento ou pelos trabalhos realizados.  Os cânticos não seriam acompanhados de atabaques nem de palmas ritmadas.

    A esse novo culto, que se alicerçava nessa noite, a entidade deu o nome de UMBANDA, e declarou fundado o primeiro templo para sua prática, com a denominação de tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque: "assim como Maria acolhe em seus braços o Filho, a Tenda acolheria os que a ela recorressem, nas horas de aflição".

    Através de Zélio manifestou-se, nessa mesma noite, um Preto Velho, Pai Antônio, para completar as curas de enfermos iniciadas pelo Caboclo.  E foi ele quem ditou este ponto, hoje cantado no Brasil inteiro: "Chegou, chegou, chegou com Deus, Chegou, chegou, o Caboclo das sete Encruzilhadas".

        A partir desta data, a casa da família de Zélio tornou-se a meta de enfermos, crentes, descrentes e curiosos. 

·                   Os enfermos eram curados; 
·                   os descrentes assistiam as provas irrefutáveis; 

·                    os curiosos constatavam a presença de uma força superior; e os crentes aumentavam dia a dia.  

  Cinco anos mais tarde, manifestou-se o Orixá Malé, exclusivamente para a cura de obsedados e o combate aos trabalhos de magia negra.

   Passados dez anos, o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS anunciou a Segunda etapa de sua missão: a fundação de sete templos, que deveriam constituir o núcleo central para a difusão da UMBANDA.
 
  A Tenda da Piedade trabalha ativamente, produzindo curas, principalmente a recuperação de obsedados, considerados loucos, na época. Já então se contavam às centenas as curas realizadas pela entidade, comentadas em todo o Estado e confirmadas pelos próprios médicos, que recorriam a Tenda, em busca da cura dos seus doentes. E o Caboclo indicava, nas relações que lhe apresentavam com nome dos enfermos, os que poderia curar: eram os obsedados, portadores de moléstias de origem psíquica; os outros, dizia ele, competia à medicina curá-los. 

   Zélio de Moraes, já então casado, por determinação da entidade, recolhia os enfermos mais necessitados em sua residência, até o término do tratamento astral. E muitas vezes, as filhas, Zélia e Zilmeia, crianças ainda, cediam o seu aposento e dormiam em esteiras, para que os doentes fixassem bem acomodados.

  Nas reuniões de estudo que se realizavam às quintas-feiras , a entidade preparava os médiuns que seriam indicados, posteriormente, para dirigir os novos templos. Fundaram-se, então varias Tendas. 
Consideração Final do autor.

   Para tudo o que você leu chamamos de sincretismo religioso, estes grupos parecem ser diferente mais não são, um encontra-se contido dentro do outro, muito embora na aparência sejam diferentes.
                                                                       Smodger Silva